quinta-feira, março 29, 2007



My sweet valentine

De repente, apaixonámo-nos.

E enquanto os pássaros azuis levantam voo, vamos aos poucos descobrindo a “alma gémea” por que sempre ansiámos. Cada descoberta é uma nova coincidência que vem acrescentar-se à anterior. “Qual é o teu sítio preferido de Lisboa? Não me digas! Também é o meu!” “Qual é o teu compositor favorito? Mahler! Ah mas que coincidência…”

Só muito mais tarde, viemos a descobrir que afinal também havia diferenças. “Já estou farto deste restaurante, o empregado é antipático, a comida uma merda, não percebo por que gostas de vir aqui”
E quando os pássaros azuis voltam a poisar, vamos querer alterar as pequenas coisas que nos desgostam: “Já te disse para não vestires essa camisola, não sei o que me pareces…” “Não faças esses estalos com os dedos. A tua mãe não te ensinou a comportares-te como deve ser?”

Onde para a “alma gémea” por quem nos apaixonámos?

Exercício difícil: continuar a sentir amor aceitando o outro, tal como ele é. Sem pedir que mude um cabelo sequer. Como a canção do Chet Baker:

But don’t change a hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
Each day is Valentine’s day

Sem comentários: