sexta-feira, março 30, 2007

Portobello Road

There are places

I'll remember

All my life,

though some have changed,

Jonh Lennon and Paul McCartney




Há para mim sítios que são especiais.
Sítios onde sempre que lá vou me sinto bem. Gosto de acreditar que, se um dia o mundo desabar, posso fugir para lá, porque sei que me vou sentir bem. Uma vez que é uma evidência a impossibilidade da fuga no tempo, do retornar ao passado à casa dos avós, por exemplo, deixem-me sonhar com a fuga no espaço.
Claro, sei que tudo isto é ilusório, mas desde que funcione, não me chateiem, não quero saber. São truques que vamos aprendendo, são as âncoras que nos seguram às emoções redentoras da nossa memória.
O “eu racional” não gosta de dizer isto alto, não vá o “eu emocional” ouvir, mas a verdade já foi dita há muito tempo por Eraclito: o futuro é uma constante mutação de um estado a outro. Portanto até os sítios especiais estão condenados a desaparecerem.
A segunda lei da termodinâmica diz por outras palavras exactamente a mesma coisa. Mas se não conhecem o formalismo matemático que a suporta, não se assustem, há sempre a versão mais acessível do Woody Allen: “mais tarde ou mais cedo tudo se transforma em merda”
Também é provável que, se estivéssemos em permanência constante nos sítios especiais estes rapidamente adquiririam o estatuto de sítios triviais. Esta tese carece todavia de demonstração prática.

Mas afasto-me do assunto. Tenho vários sítios especiais, mas o mais especial entre os especiais é Portobello Road. Por que ainda há de tudo, porque ainda se respira liberdade, porque ainda se canta na rua, porque ainda por lá paira o espírito hippie da minha primeira viagem quando saído de uma Lisboa cinzentona e salazarenta deparo com a revolução, mini-saias, cabelos compridos, flower power, amor livre, (e droga claro!), rock na rua, desconhecidos que sorriam a desconhecidos.

Se calhar sou só eu que vejo isto, mas não importa.
Vou manter a ter fé no poder miraculoso dos meus sítios especiais. Sei que posso contar com eles, como conto com os amigos: não têm que estar sempre presentes, apenas têm que estar lá.

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