quinta-feira, abril 19, 2007

O pós-moralismo


O ponto de vista em que me situo, para falar de quetões morais, está algures entre Jupiter e Saturno. Quero ser extraterrestre e olhar sem preconceitos a vida. Muito menos basear os juizos de valor em conceitos religiosos. Por isso, não tenho uma visão catastrofista da evolução dos conceitos morais.

Todos nos queixamos que o conceito do dever superior deixou de existir. A entrega individual ao dever já não move ninguém e a disciplina do desejo que isso implicava, foi substituída pelo direito individual ao prazer. Como diz Gilles Lipovetsky, "a obrigação moral foi substituída pelo pragmatismo individual".

Será isto bom ou mau? Ou será simultâneamente bom e mau, consoante as circunstâncias?

A glorificação individaulista da disposição de si próprio, traz em si a semente de uma nova moral. Já não condenamos as prostitutas porque são pecadoras, mas lamentamo-las se são vítimas das circunstâncias. Já não condenamos a prostituição enquanto vício ou indignidade moral, mas sim enquanto escravização da mulher. Um novo valor emerge: cada um deve respeitar o humano que há em si.

Os soldados britânicos que estiveram prisioneiros no Irão, fizeram um contrato com os jornais para contarem a sua história. E o ministro autorizou. O direito da escolha individual a insinuar-se numa instituição que é, por definição, conservadora.

Isto é mau? Se pusermos num dos pratos da balança, os soldados britânicos com o seu pragamatismo individual, e, no outro, os bombistas suicidas, que anulam o seu individualismo perante um dever maior, para onde é que a balança pende?

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