quinta-feira, setembro 06, 2007



LIVROS LIDOS NAS FÉRIAS





"O Pintor de Batalhas" de Arturo Pérez-Reverte


Um fotógrafo, repórter de guerra, de nome Faulques, durante trinta anos de profissão fez um esforço por manter aquilo que considerava ser essencial para a sua profissão: indiferença pelo horror que presenciava.

Faulques estava convencido que a guerra está inscrita no destino do homem.
A violência é uma lei da natureza e não há nada que possamos fazer contra isso.
“Não há saída! Há consolo. A corrida do prisioneiro que enquanto não lhe acertam, julga ser livre...
Às vezes basta isso: O simples esforço para compreender as coisas. Também há analgésicos temporais. Com sorte dão para ir aguentando, e, bem administrados servem até ao fim…a lucidez, o orgulho, a cultura, mesmo o amor…”

A mulher por quem se apaixonou e com quem partilhava uma visão desencantada sobre o mundo, morreu um dia ao seu lado atingida pelo fogo de um dos contentores quando os dois faziam a cobertura de mais uma guerra.

Numa das suas reportagens nos Balcãs, fotografa um soldado que está numa situação de desespero. Essa fotografia torna-se famosa e transmitida por todos os media.
O soldado que acaba por se salvar, é feito prisioneiro. E a sua cara na fotografia é reconhecida pelos carcereiros. Como consequência, a sua mulher e filho são assassinados. O soldado decide que, quando a guerra acabar, há-de procurar o fotógrafo e matá-lo.

Mas, para Faulques, o horror ultrapassou o suportável. E a fotografia revelou-se impotente para o descrever. O fotógrafo decide deixar a profissão, retira-se para uma pequena aldeia e inicia a pintura a óleo de um gigantesco quadro para mostrar a inata maldade do homem. E o horror supremo que é um homem matar outro homem.

O ex-soldado encontra o pintor e transmite-lhe a sua decisão: “Vim para o matar”. Mas conversam e o soldado deixa-se impressionar pela força da pintura.
Conversam e partilham o desencanto que sentem com o destino da humanidade, sempre com o ex-soldado a dizer: “Não se esqueça –estou aqui para o matar”. Mas isso não vai acontecer. Um dia o pintor entra pelo mar adentro sempre em frente. “E perguntou a si próprio o que haveria para lá das trezentas braçadas”.

A Arte conseguirá algum dia ajudar o homem a transformar-se? Deverá ser exposto todo o mal do homem, ou apenas mostrar o seu lado bom? (http://www.umtoquededivino.blogspot.com/).
Talvez o consolo que trás seja já papel de sobejo. Analgésicos temporais...

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