
No dia 20 de Janeiro de 1975 fazia sol. Desci na estação dos caminhos de ferro das Caldas da Raínha e percorri a pé o trajecto até ao quartel. Só parei num barbeiro para cortar o cabelo. Ia para a "tropa"!
Apesar da minha aversão ao serviço militar, estava com sorte: ia destinado a uma incorporação especial que ia englobar todos aqueles que se destinavam aos cursos de sargentos e oficiais milicianos e os refractários de incorporações anteriores.
Sentia-me infeliz. E quando esperava que o sargento me desse o fardamento, alguém se dirigiu a mim e disse-me de forma amigável: "Eh pá, então que se passa contigo? Estás com ar preocupado! Vá lá...coragem"
Depois quiz saber quantos anos tinha, o que fazia, etc.
Fiquei sensibilizado pela simpatia e demonstração de solidariedade. Depois apresentou-se: chamava-se Francisco Lucas Pires e tinha feito direito em Coimbra.
Francisco Lucas Pires faleceu a 22 de Maio de 1998, aos 53 anos, vítima de um enfarte do miocárdio. Fez agora 10 anos.

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